01/07/2013 :: Jovem, levanta-te
No caminho, muita gente acompanhava a procissão para o cemitério, do filho único de uma pobre viúva. O Senhor viu a mulher chorando, se aproximou do caixão, tocou e disse; “Jovem levanta-te” (Lc 7,17-11). O Evangelho afirma que o jovem levantou e começou a falar. Ninguém sabe o que ele disse naquela hora, despertado do sono da morte.
O Senhor devolveu a vida, devolveu o filho, suscitou na comunidade o testemunho, e fez falar, anunciar a nova vida. Certamente aquele jovem já não é o mesmo de antes. Morreu para o passado a fim de reviver para o presente e anunciar a todos a vida nova. Ninguém depois de ter encontrado o Senhor fica calado. Ninguém depois de receber a vida de ressuscitado permanece o mesmo.
Quantos jovens no caixão dos vícios, da internet, da sexualidade sem responsabilidade, da mania de dizerem que são os donos da verdade, autossuficientes, capazes de loucuras por satisfazer os próprios desejos.

Parece que hoje o mundo real e erdadeiro é o mundo sem dificuldades, sem luta, sem sofrimento, sem suor e trabalho. Viver alheios de toda verdade, inclusive da própria realidade, leva a ignorar toda a verdade das pessoas e das
coisas. O mundo real é a fantasia, é o sonho, é o utópico, é o mundo ideal que só existe no imaginário.
O Papa Francisco recebeu no dia sete de junho, mais de 8 mil jovens, alunos e ex-alunos dos colégios jesuítas da Itália e Albânia. Em um ambiente familiar e de especial alegria entre os milhares de crianças e jovens presentes, um deles questionou o Papa sobre a decisão de deixar tudo para seguir Cristo na vocação.
O Papa disse que “há dificuldades. Mas é belo seguir Jesus, ir pelo seu caminho, ter dificuldades e seguir em frente. Depois, chegam momentos mais belos, mas ninguém deve pensar que não terá dificuldades na vida.
Eu também queria fazer uma pergunta a vocês: como pensam avançar diante das dificuldades? Não é fácil, mas temos que avançar com força e confiança no Senhor: com o Senhor tudo se pode”.
Sobre a pergunta de um dos alunos sobre como viver a vida cristã com fidelidade, o Santo Padre disse que “caminhar é uma arte porque, se vamos sempre depressa, nos cansamos e não chegamos ao final do caminho. Pelo contrário, se sempre paramos, não andamos e tampouco chegamos à meta.
Caminhar é a arte de olhar o horizonte, pensar onde queremos ir, mas aguentar também o cansaço do caminho, que às vezes é difícil. Não tenham medo dos fracassos, nem das quedas.
Na arte de andar o que importa não é cair. Temos que levantar rapidamente e continuar andando. Isto é belo: este trabalhar todos os dias; isto é caminhar de forma humana. Mas caminhar sozinhos é desagradável e chato”.
Francisco disse que, além disso, “os tempos nos dizem que há tanta pobreza no mundo e isto é um escândalo. A pobreza do mundo é um escândalo. Em um mundo onde há tantas riquezas, tantos recursos para dar de comer a todos, é impossível pensar que haja tantas crianças que passam fome, tantas crianças sem educação, tantos pobres.
A pobreza hoje é um grito. Todos temos que pensar em tornar-nos um pouco mais pobres: todos deveríamos fazer isso. Cada pessoa deveria se perguntar: Como eu posso me fazer um pouco mais pobre para me parecer mais a Jesus que era o Mestre pobre?...”. O caminho é longo, mas vale a pena caminhar. Levante-te e vamos juntos deixar o passado e construir um novo jeito de viver e ser feliz.
Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá (PR)
Fonte : CNBB
voltar